09/06/2013

Entrevista de Cécile Kyenge - Ministra da Integração Italiana


Entrevista com Cécile Kyenge - tradução para o português



Eu cheguei muito jovem, portanto não havia ninguém me apoiando, isto quer dizer que o meu processo de integração eu fiz inteiramente sozinha na Itália, portanto, eis o porquê não me assustam as dificuldades. Quero dizer, trabalhando, estudando, nunca perdendo o próprio objetivo.

Quando um vive aqui e tem uma cor de pele diferente, não pode dizer que nunca sofreu discriminação. Seguramente aconteceu comigo, mas acredito que isso não me faria parar.
 
Aquilo que observo, é a inteligência das pessoas, a capacidade de uma pessoa poder dialogar, de interagir, e não devo olhar de onde ela vem.

Em cada lugar, em cada grupo, em qualquer partido, existem pessoas com as quais é possível dialogar, e provavelmente dos lugares de onde vem esses ataques, eu sou certa que tentando lhes falar, se consegue encontrar um terreno de diálogo.
 
De tudo aquilo que eu tenho visto publicado, sinto dificuldade de me identicar, dificuldade de falar sobre mim...Eu digo súbito que eu sou negra, eu sou ítalo-congolesa, e tenho que sublinhar: sou ítalo-congolesa porque pertenço a duas culturas, a dois países, que estão dentro de mim, e não poderia ser inteiramente italiana e nem poderia ser inteiramente congolesa, isto justifica a minha DUPLA IDENTIDADE, justifica também aquilo que porto dentro de mim. Portanto, esta era a primeira coisa com a qual gostaria de ser definida.
 
Em tantos lugares, ví passando que eu sou "de cor". Eu não sou de cor, eu sou negra, e isto é importante dizer e rebato com confiança. E penso que seja justo também para tantas pessoas que fazem parte deste país começarem a utilizarem terminologias justas e também modos justos para poder chamar as pessoas, isso reforça a nossa identidade.

Para o que se trata de mudança de lei, eu disse antes que faço parte de uma equipe, e eu me recordo uma coisa que me foi ensinada em meu continente de origem a África: "às vezes se pode falar, pode-se até mesmo dizer que somos capazes de mudar as coisas sem gritar, é necessario simplesmente para tanto, buscar uma condivisão, precisa-se tentar falar com o que é diverso. E eu sou segura que mudando a linguagem, mudando os modalidade, a aproximação, muitas coisas serão feitas , podem ser feitas.

É preciso sobretudo, referir-se àquilo que é do cotidiano. E o cotidiano me diz uma coisa: que temos pessoas que nascem e crescem na Itália e que não possuem nenhuma identidade; não se sentem italianas e não se sentem nem menos pertencentes ao país de origem dos genitores. E precisamos partir daqui, da leitura daquilo que me dá o país para começar a falar com todos e encontrar resposta.

Quando se fala de violência contra as mulheres, quando se fala de termos que são de igualdade e oportunidade, reguardam a todos: imigrantes e italianos.

A lei que fala sobre a violência contra as mulheres deve salvaguardar a todos, a violência não tem cor, a violência não pertence a uma etnia, nós devemos falar da violência contra a mulher, quero dizer todas elas.

Quando uma mulher sofre violência não é por culpa de pertencer a uma etnia, mas é culpa de uma cultura que nós devemos mudar, por isso, é preciso promover em tal senso leis que devem condenar culturalmente esse tipo de violência.

Neste momento no qual nos encontramos de frente com a crise econômica, eu creio que não seja justo falar em sair da crise econômica fazendo distinção entre os diversos cidadãos. Se sai da crise econômica juntos: imigrantes e italianos.

Diante da crise ninguém é estrangeiro, a crise ataca e não vê  a cara de ninguém, e nós devemos dar uma resposta neste sentido.

 

Esta foi a entrevista que gerou grande polêmica, desencadeando uma reação ultra nacionalista por parte dos que se sentiram ofendidos pelo fato da nova ministra não ter assumido 100% sua cidadania italiana.

Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos juntos como irmãos.

Martin Luther King

O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.

Martin Luther King




07/06/2013

Itália: direita extremista hostiliza Cécile Kyenge - Primeira negra a chegar ao governo como Ministra da Integração.


 
 
 
Cécile Kyenge Kashetu, é médica oftalmologista, nascida na República Democrática do Congo em 1964, é ativista de direitos humanos em prol dos imigrantes na Itália, faz militância pelo Partido Democrático atuando pela região de Emília Romagna até ser nomeada Ministro da Integração pelo atual Primeiro Ministro Italiano Enrico Letta. Os motivos da polêmica nomeação da primeira ministra negra na história italiana são diversos, alguns destes vemos na internet.

Nacionalismo - Durante uma entrevista onde declara ter dupla identidade e não dupla nacionalidade, há quem tenha interpretado como falta de total respeito ao seu juramento de posse, e para muitos não ter se declarado inteiramente italiana foi uma ofensa além de pura falta de patriotismo.

Discriminação - Existem também os que não aceitam o seu testemunho pessoal como vítima de discriminação na Itália, como se isto fosse denegrir a imagem deste povo ou como se não existisse esse tipo de pré-conceito por parte dos italianos).

Escolha - Muitos se perguntam o porquê de nomear uma "estrangeira" para um cargo de ministro quando haviam outros tantos candidatos à disposiçao para o mesmo cargo.

Crise Econômica - Neste momento a maioria da população está insatifeita, pagando altas taxas, perdendo emprego, vendo suas empresas falirem ou sendo transferidas para o exterior onde os benefícios fiscais são melhores. Todo e qualquer posto de trabalho é desejado, até mesmo os menos privilegiados, geralmente já ocupados por maioria estrangeira, por terem sido ignorados pelos italianos por muitos anos, começam a gerar ainda mais discussão e conflitos.

Desilusão política- Enquanto a classe política continua a gozar de todas as suas mordomias, o povo questiona em casos como este, o processo de eleição pelo partido e não pelo candidato.

Representatividade - O fato de ter se declarado negra, é interpretado como uma "inversão racista".

Imigração - Inúmeros problemas socias são atribuídos pela chegada legal e ilegal de estrangeiros ao país, como se podem ver em alguns comentários.

Devo enfatizar que estou somente informando e traduzindo alguns dos comentários mais populares do youtube no que diz respeito à nova Ministra da Integraçao Italiana. O fato de serem bem votados, não significa uma aprovação da maioria das pessoas. Essas afirmações são de cidadãos comuns, não vinculados a movimentos xenofóbicos. Trata-se simplesmente de opiniões isoladas que de maneira alguma representam um consenso geral, e nada tem haver com algum tipo de instituição oficial.
Tudo isto afinal, é uma grande demonstração da liberdade de expressão que se vive na Itália, mas por outro lado, observamos a carência de uma lei que regule ou venha a punir certos tipos de afirmações em público. Portanto, não se admire se visitando este país, seja possível encontrar pessoas que defendam tais pontos de vista. Se Até Barak Obama foi e ainda é alvo de críticas, quanto mais!

Francesko263
E per fare questo bisogna fare emigrare gli italiani e fare arrivare orde barbariche di immigrati bastardi figli di scimmie negre.
"E para fazer isto precisa fazer emigrar os italianos e fazer chegar ordes bárbaras de imigrantes bastardos filhos de macacas negras."

E io sono orgoglioso di essere bianco!Solo che se lo dico io divento un razzista membro del ku klux klan,se lo dice la Kyenge diventa la paladina dei diritti umani!Ma come cazzo stiamo messi!
" E eu sou orgulhoso de ser branco. Só que se eu digo me transformo em um racista membro do Ku klux klan, se o diz a Kyenge se transforma na heroína dos direitos humanos! Mas como # # # estamos metidos!"
antonella bella
giusto!!concordo!!!ci stanno praticamente rubando la nostra "identità"
Justo!! Concordo!!! Estão praticamente roubando a nossa"identidade".

Joseph Porta
cara signora, lei persona istruita e dottore dovrebbe pensare al suo paese: il Congo dove ci sono risorse e lavoro per lo sviluppo di esso. Secondo me è la che lei dovrebbe trasferirsi. Non abbiamo bisogno di lei in Italia. La rispetto come persona, ma come politica non mi rappresenta, non'è per razzismo ne per colore di pelle, ma per me l'Italia è degli Italiani, il Congo dei congolesi e torno a dire questo non'è razzismo neppure un insulto ma solo un pensiero di cittadino ITALIANO.
"Cara senhora, tu pessoa instruída e doutora deveria pensar em seu país: O Congo onde encotrarás recursos e trabalho para o desenvolvimento do mesmo. Segundo minha opinião é para lá que tu deverias tranferir-se. Não precisamos de você na Itália. Eu a respeito como pessoa, mas como política nãao me representas, nao é por racismo nem por cor de pele, mas para mim a Itália é dos Italianos, o Congo dos congoleses e torno a dizer isto não é racismo nem mesmo um insulto mas somente um pensamento de cidadaão ITALIANO."

nun te voiamoooooooooooooooooooooo e meyo che torni al tuo paese
"Não te queremos é melhor que tornes ao teu país (frase típica em dialeto vêneto, dita aos estrangeiros no quotidiano)."