Entrevista com Cécile Kyenge - tradução
para o português
Eu cheguei muito jovem,
portanto não havia ninguém me
apoiando, isto quer dizer que o meu processo de integração eu fiz inteiramente sozinha na Itália, portanto, eis o porquê não me assustam as dificuldades. Quero
dizer, trabalhando, estudando, nunca perdendo o próprio objetivo.
Quando um vive aqui e
tem uma cor de pele diferente, não
pode dizer que nunca sofreu discriminação. Seguramente aconteceu comigo, mas
acredito que isso não
me faria parar.
Aquilo que observo, é a
inteligência das pessoas, a capacidade de uma pessoa poder dialogar, de
interagir, e não devo olhar de
onde ela vem.
Em cada lugar, em cada
grupo, em qualquer partido, existem pessoas com as quais é possível dialogar, e provavelmente dos lugares de onde vem
esses ataques, eu sou certa que tentando lhes falar, se consegue encontrar um
terreno de diálogo.
De tudo aquilo que eu
tenho visto publicado, sinto dificuldade de me identicar, dificuldade de falar
sobre mim...Eu digo súbito que eu sou
negra, eu sou ítalo-congolesa, e tenho que sublinhar: sou ítalo-congolesa porque pertenço a duas culturas, a dois países, que estão
dentro de mim, e não
poderia ser inteiramente italiana e nem poderia ser inteiramente congolesa,
isto justifica a minha DUPLA IDENTIDADE, justifica também aquilo que porto
dentro de mim. Portanto, esta era a primeira coisa com a qual
gostaria de ser definida.
Em tantos lugares, ví passando que eu sou "de cor". Eu não sou de cor, eu sou negra, e
isto é importante dizer e rebato com confiança. E penso que seja justo também
para tantas pessoas que fazem parte deste país começarem a utilizarem
terminologias justas e também modos justos para poder chamar as pessoas, isso
reforça a nossa identidade.
Para o que se trata de mudança de lei, eu disse antes que faço parte de uma
equipe, e eu me recordo uma coisa que me foi ensinada em meu continente de
origem a África: "às vezes se pode falar, pode-se até mesmo dizer que
somos capazes de mudar as coisas sem gritar, é necessario simplesmente para
tanto, buscar uma condivisão, precisa-se tentar falar
com o que é diverso. E eu sou segura que
mudando a linguagem, mudando os modalidade, a aproximação, muitas coisas serão
feitas , podem ser feitas.
É preciso sobretudo, referir-se àquilo que é do cotidiano. E o cotidiano me
diz uma coisa: que temos pessoas que nascem e crescem na Itália e que não possuem nenhuma identidade; não se sentem italianas e não se
sentem nem menos pertencentes ao país de origem dos
genitores. E precisamos partir daqui, da leitura daquilo que me dá o país para começar a falar com todos e encontrar resposta.
Quando se fala de violência contra as mulheres, quando se fala de termos
que são de igualdade e oportunidade, reguardam a todos: imigrantes e italianos.
A lei que fala sobre a violência contra as mulheres deve salvaguardar a
todos, a violência não tem cor, a violência não pertence a uma etnia, nós devemos falar da violência contra a mulher, quero dizer todas elas.
Quando uma mulher sofre violência não é por culpa de pertencer a uma etnia,
mas é culpa de uma cultura que nós devemos mudar, por isso, é preciso promover em tal senso leis que devem
condenar culturalmente esse tipo de violência.
Neste momento no qual nos encontramos de frente com a crise econômica, eu creio que não seja
justo falar em sair da crise econômica
fazendo distinção entre os diversos cidadãos. Se sai da crise econômica juntos: imigrantes e
italianos.
Diante da crise ninguém é estrangeiro, a crise ataca e não vê a cara de ninguém, e nós devemos dar uma resposta neste sentido.
Esta foi a entrevista que gerou grande polêmica,
desencadeando uma reação ultra nacionalista por parte dos que se sentiram
ofendidos pelo fato da nova ministra não ter assumido 100% sua cidadania
italiana.
Aprendemos a voar como os
pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos
juntos como irmãos.
Martin Luther
King
O que afeta diretamente
uma pessoa, afeta a todos indiretamente.
Martin Luther King
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